Evandro Harenza

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Desculpas ao esporte e aos atletas brasileiros

In Opinião on 26/09/2008 at 10:49

Por RONALDO PACHECO DE OLIVEIRA FILHO*

Desculpem pela falta de espaços esportivos nas escolas;

Pela falta de professores de educação física nas séries iniciais;

Pelas escolinhas mercantilizadas que buscam quantidade de clientes e não qualidade de aprendizagem;

Desculpem pela falta de incentivo na base;

Desculpem pela falta de praças esportivas;

Desculpem pelo discurso de que “o esporte serve para tirar a criança da rua” (é muito pouco se for só isso!);

Desculpem pela violência nas ruas que impede jovens de brincar livremente, tirando deles a oportunidade de vivenciar experiências motoras;

Desculpem se muito cedo lhe tiraram o “esporte-brincadeira” e lhe impuseram o “esporte-profissão”;

Desculpem pelo investimento apenas na fase adulta quando já conseguiram provar que valia a pena;

Desculpem pelas centenas de talentos desperdiçados por não terem condições mínimas de pagar um transporte para ir ao treino, de se alimentar adequadamente, ou de pagar um “exame de faixa”;

Desculpem por não permitirmos que estudem para poder se dedicar integralmente aos treinos.

Desculpem pelo sacrifício imposto aos seus pais que dedicaram seus poucos recursos para investir em algo que deveria ser oferecido gratuitamente;

Desculpem levá-los a acreditar que o esporte é uma das poucas maneiras de ascensão social para a classe menos favorecida no nosso país;

Desculpem pela incompetência dos nossos dirigentes esportivos;

Desculpem pelos dirigentes que se eternizam no poder sem apresentar novas propostas;

Desculpem pelos dirigentes que desviam verbas em benefício próprio;

Desculpem pela falta de uma política nacional voltada para o esporte;

Desculpem por só nos preocuparmos com leis voltadas para o futebol (Lei Zico, Lei Pelé, etc.);

Desculpem se a única lei que conhecem ligada ao esporte é a “Lei do Gérson” (coitado do Gérson);

Desculpem pelos secretários de esporte de “ocasião”, cujas escolhas visam atender apenas, promessas de ocupação de espaços político-partidários (e com pouca verba no orçamento);

Desculpem pelos políticos que os recebem antes ou após grandes feitos (apenas os vencedores) para usá-los como instrumento de marketing político;

Desculpem por pensar em organizar “Olimpíadas” se ainda não conseguimos organizar nossos ministérios; nossas secretarias, nossas federações, nossa legislação esportiva;

Desculpem por forçá-los, contra a vontade, a se “exilarem” no exterior caso pretendam se aprimorar no esporte;

Desculpem pela cobrança indevida de parte da imprensa que pouco conhece e opina pelo senso comum.

Desculpem o povo brasileiro carente de ídolos e líderes por depositar em vocês toda a sua esperança;

Desculpem pela nossa paixão pelo esporte, que como toda paixão, nem sempre é baseada na razão;

Desculpem por levá-los do céu ao inferno em cada competição, pela expectativa criada;

Desculpem pelo rápido esquecimento quando partimos em busca de novos ídolos;

Desculpem pelas lágrimas na derrota, ou na vitória, pois é a forma que temos para extravasar o inexplicável orgulho de ser brasileiro e de, apesar de tudo, acreditar que um dia ainda estaremos entre os grandes.

*Ronaldo Pacheco de Oliveira Filho é professor da  Secretaria de Educação do DF (cedido à UnB) e da Universidade Católica de Brasília.

Fonte: Blog do Juca Kfouri

PS: E isto acontece em todo o Brasil. Inclusive em Araucária, que nem tem um orçamento tão apertado assim para o esporte (onde vai parar, não sei). Cadê os ginásios, cadê as praças esportivas nos bairros. Cadê os campos de futebol. Cadê, cadê? Bolsa Atleta é um passo. Mas precisa ser fiscalizado e melhorado. E muito.

Dois temas

In Notícia, Opinião on 27/06/2008 at 20:20

Dificilmente consigo publicar artigos no final de semana. Por isso, dois temas serão recorrentes nas discussões neste blog (e em Araucária) na segunda-feira. Um: Os candidatos à prefeitura depois de realizadas as convenções. Outro: O resultado do clássico Atletiba, o primeiro do Campeonato Brasileiro.

Como são dois assuntos que eu gosto muito, não poderia deixar de falar sobre eles. Como já publiquei sobre as convenções (dois posts abaixo), só garanto que na Segunda-feira comentarei mais sobre os candidatos à prefeitura, depois de confirmados. E também sobre os vices, assunto que também é de grande importância. Muita gente quer saber quem serão os candidatos ao cargo de substitutos do Prefeito(a).

Não tenho certeza (ninguém tem), mas acredito que serão um ex-secretário municipal (para Olizandro), um atual vereador (para Rosane) e uma mulher de ex-prefeito (para Clodoaldo) ou o atual vice-prefeito (caso Zezé insista em concorrer). Mas entre colher essas informações e confirmar esses dados, tem muita diferença.

Já quanto ao clássico Atletiba, gostaria que fosse realizado com duas equipes brigando pelas primeiras colocações (ou pelo menos uma delas, como no Gre-Nal). Como não estamos nessa situação, que vença o melhor. E que a capital do estado não se transforme novamente num ring. A população precisa de ônibus inteiros na segunda-feira (e tubos também).

PS: E que a palavra deste final de semana (e durante o restante do ano) seja PAZ. Todos merecemos, tanto nas eleições (sem ataques pessoais), como nos estádios (e entornos).

Série C

In Opinião on 21/05/2008 at 17:51

O Paraná Clube disputou três jogos na segunda divisão do Campeonato Brasileiro até agora. Somou apenas um ponto, marcou apenas um gol e sofreu cinco. É o 17º colocado e pode fechar a rodada em último, com os jogos do final de semana.

Os tricolores de Curitiba disputaram duas vezes a segunda divisão e foram campeões nas duas oportunidades (1992 e 2000, no Módulo Amarelo da Copa João Avelange). Muitos torcedores disseram, na queda de 2007, que o Paraná nunca disputou duas séries B em anos consecutivos. Verdade. Verdade também que o clube não necessariamente precisa subir de divisão para manter o tabu.

Se continuar sonhando (até mais do que pensando) como grande e se achando favorito na segundona, o time da gralha azul pode muito bem ser rebaixado para a série C. E isso não me surpreenderia.

Guarani, Santa Cruz, Paysandu e outros grandes nos seus estados já seguiram esse caminho: A – B – C. Cairam num ano da primeira para a segunda divisão e no ano seguinte minguaram na segundona, indo para a terceira divisão do nacional.

Ninguém na capital paranaense quer o Paraná na série C, até por que, o tricolor é como um segundo time dos torcedores do Coritiba e do Atlético. Mesmo pensando diferente, os torcedores sabem disso. Pergunte para um torcedor da dupla Atletiba (ou pergunte a si mesmo se for o caso) se num confronto entre Paraná e o rival do time do seu coração (Atlético no caso do Coxa e vice-versa) pra quem você torceria? A resposta é certa: Para o Paraná (ou Paranazinho, como chamariam numa proximidade quase familiar entre o seu clube e o time da Vila Capanema).

Certo é que o Paraná não pode se dar ao luxo de pensar como grande numa competição em que é igual a tantos outros. Tirando o Corinthians, muitos dos demais estão no mesmo nível. Tanto técnico como financeiro (a grande vantagem do timão é essa). Desde o Juventude, mais ao sul, até o Fortaleza, no Nordeste.

Grêmio, Palmeiras, Botafogo e Atlético-MG foram grandes que disputaram a série B como clubes de segundona e conseguiram o acesso no mesmo ano. O Coritiba não pensou assim na hora da substituição do treinador que vinha perdendo pontos importantes e não tinha mais o apoio da torcida (acabou não substituindo) e teve que amargar mais um ano na divisão de acesso do Brasileirão.

Hoje, se tiver que apostar, meu palpite coloca o Paraná, no mínimo, lutando contra o rebaixamento até os últimos dez jogos. Mas opinião é opinião e a gente não aposta dinheiro quando não tem (é o meu caso).

PS: Se os paranistas acharam ruim a comparação com grandes nos seus estados, como Santa Cruz, Paysandu e Guarani, lembro que o Fluminense também disputou a série B, em 1998 e acabou rebaixado à série C. Em 1999 foi campeão da terceirona e só não disputou novamente a segunda divisão por que houve virada de mesa. Mas era o Fluminense e os tempos eram outros. Sendo o Paraná e nos anos 2000, virada de mesa só por briga entre torcedores e sendo mesa de bar. O que também é uma calamidade.

Livres do Real Brasil

In Opinião on 06/03/2008 at 15:16

Não sabem como fiquei feliz com o resultado do julgamento no TJD da Federação Paranaense de Futebol, em que o Real Brasil foi punido por escalar irregularmente um jogador. A imprensa esportiva do estado divulgou o fato e, para se defender, disse que o atleta estava irregular no clube no ano passado. Esse ano, eles regularizaram a situação do jogador que atuava com a identidade do irmão.

Grande desculpa. Quer dizer que eles souberam que o jogador atuou irregularmente no Iguaçu (de União da Vitória) e não entraram contra o clube adversário na justiça? E o pior, nem pensaram que o clube do interior podia denunciar ao TJD a irregularidade do Real e do atleta?

É claro que sou favorável aos resultados obtidos dentro do campo. Mas não podemos suportar um clube como o Real Brasil e seu dono (Aurélio Almeida) manchando ainda mais o campeonato paranaense.

Se não podemos acabar com os clubes que não têm torcida, como J.Malucelli e Portuguesa, que ao menos possamos ver uma competição com clubes que possuam estrutura. Chega de aproveitadores.

PS: Em todos os sentidos (e setores).