Evandro Harenza

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Série C

In Opinião on 21/05/2008 at 17:51

O Paraná Clube disputou três jogos na segunda divisão do Campeonato Brasileiro até agora. Somou apenas um ponto, marcou apenas um gol e sofreu cinco. É o 17º colocado e pode fechar a rodada em último, com os jogos do final de semana.

Os tricolores de Curitiba disputaram duas vezes a segunda divisão e foram campeões nas duas oportunidades (1992 e 2000, no Módulo Amarelo da Copa João Avelange). Muitos torcedores disseram, na queda de 2007, que o Paraná nunca disputou duas séries B em anos consecutivos. Verdade. Verdade também que o clube não necessariamente precisa subir de divisão para manter o tabu.

Se continuar sonhando (até mais do que pensando) como grande e se achando favorito na segundona, o time da gralha azul pode muito bem ser rebaixado para a série C. E isso não me surpreenderia.

Guarani, Santa Cruz, Paysandu e outros grandes nos seus estados já seguiram esse caminho: A – B – C. Cairam num ano da primeira para a segunda divisão e no ano seguinte minguaram na segundona, indo para a terceira divisão do nacional.

Ninguém na capital paranaense quer o Paraná na série C, até por que, o tricolor é como um segundo time dos torcedores do Coritiba e do Atlético. Mesmo pensando diferente, os torcedores sabem disso. Pergunte para um torcedor da dupla Atletiba (ou pergunte a si mesmo se for o caso) se num confronto entre Paraná e o rival do time do seu coração (Atlético no caso do Coxa e vice-versa) pra quem você torceria? A resposta é certa: Para o Paraná (ou Paranazinho, como chamariam numa proximidade quase familiar entre o seu clube e o time da Vila Capanema).

Certo é que o Paraná não pode se dar ao luxo de pensar como grande numa competição em que é igual a tantos outros. Tirando o Corinthians, muitos dos demais estão no mesmo nível. Tanto técnico como financeiro (a grande vantagem do timão é essa). Desde o Juventude, mais ao sul, até o Fortaleza, no Nordeste.

Grêmio, Palmeiras, Botafogo e Atlético-MG foram grandes que disputaram a série B como clubes de segundona e conseguiram o acesso no mesmo ano. O Coritiba não pensou assim na hora da substituição do treinador que vinha perdendo pontos importantes e não tinha mais o apoio da torcida (acabou não substituindo) e teve que amargar mais um ano na divisão de acesso do Brasileirão.

Hoje, se tiver que apostar, meu palpite coloca o Paraná, no mínimo, lutando contra o rebaixamento até os últimos dez jogos. Mas opinião é opinião e a gente não aposta dinheiro quando não tem (é o meu caso).

PS: Se os paranistas acharam ruim a comparação com grandes nos seus estados, como Santa Cruz, Paysandu e Guarani, lembro que o Fluminense também disputou a série B, em 1998 e acabou rebaixado à série C. Em 1999 foi campeão da terceirona e só não disputou novamente a segunda divisão por que houve virada de mesa. Mas era o Fluminense e os tempos eram outros. Sendo o Paraná e nos anos 2000, virada de mesa só por briga entre torcedores e sendo mesa de bar. O que também é uma calamidade.

Campeões Estaduais

In Notícia, Opinião on 05/05/2008 at 10:15

Coritiba, ganhou por ser melhor nas decisões. Incrível como o Atlético pode ter uma direção tão arrogante. Como compará-lo a clubes de primeiro mundo? O Campeonato Paranaense não chega nem perto de ser uma competição interessante, mas um clássico Atletiba sempre é e isso salvou a decisão.
Se bem que toda decisão é interessante. Se o campeonato fosse todo assim seria melhor. Agora chega o Campeonato Brasileiro, porém, o Coritiba pode falar: “É Campeão” e competir aliviado no início da competição nacional. Méritos para o técnico Dorival Jr e para a torcida. Manter a base virou clichê para falar bem das equipes campeãs. Mesmo assim, foi a realidade da equipe alviverde paranaense.

Juventude. O que falar do time que venceu três vezes o Internacional no Campeonato, incluindo uma vez no Beira Rio e perdeu a decisão por 8 a 1? No Gauchão, segue a máxima, se não for nem Inter nem Grêmio o campeão, belisque-se, por que deve você estar dormindo. Aplausos para o Colorado, campeão. Zetti voltou para a realidade. Melhorou o Juve, mas não o suficiente para derrubar o time de Abel Braga na hora que precisava.

Palmeiras confirmou o que se esperava. Conquistou o título do Paulistão e com goleada sobre a Ponte Preta. O time evoluiu durante o Campeonato, por méritos do técnico Wanderley Luxemburgo. Valdívia é o melhor jogador do futebol brasileiro, apesar de continuar sendo o cai-cai de sempre.

Itumbiara. O clube do interior goiano resolveu investir e levou o que queria. Derrubou os favoritos Atlético e Goiás e levantou a taça. Começou investindo em treinador. Paulo Cezar Gusmão montou um grande time para o nível do estadual. Portas se abrem para ele voltar a um grande clube, ou pelo menos time de segunda divisão nacional com possibilidades de acesso. Agora tem o título Campeão Goiano no currículo.

Botafogo vencendo por um gol. Tudo o que queria todo torcedor de futebol que acompanhava a final do Campeonato do Rio de Janeiro sem torcer para o alvi-negro nem para o Flamengo. Mas aí brilhou o bom futebol de Obina (não, ele não é melhor que Etto, mas pelo menos joga o suficiente para o futebol fluminense). Sem falar de Diego Tardelli. Ele precisa de técnico que o ajude. Leão fez isso no São Paulo. Murici não conseguiu. Joel estava conseguindo no Flamengo, mas ninguém sabe se o novo treinador conseguirá também. No RJ também tem a máxima, se não for um dos quatro grandes, beliscão de novo. Por isso que chamam o campeonato estadual de Campeonato Carioca.

No Campeonato Mineiro, sem palavras após a primeira partida da final. Deu Cruzeiro, claro.

No Campeonato Catarinense, mais uma vez o Criciúma perdeu o título contando com a vantagem de decidir em casa. Mesmo vencendo o Figueirense, a equipe do interior não levou vantagem por ter marcado melhor saldo na decisão (que regulamento esse, não?). Na prorrogação, o Figueira fez o que precisava. Um a zero e o título.

No Campeonato Cearense, bem que o interior tentou, mas na decisão, sempre perde para um time da capital. Desta vez, deu Fortaleza. O Icasa foi vice novamente.

Pra fechar os principais estaduais do país (em tradição, deixa-se bem claro), o título do Campeonato Baiano estava sendo disputado pelos quatro integrantes do quadrangular final até a última rodada. Bahia venceu por goleada o então líder Vitória da Conquista (Esporte Clube Primeiro Passo, de Vitória da Conquista, é o nome oficial do Clube).
Porém, o Vitória (da capital) também goleou o time do Itabuna. Com o mesmo saldo (3), as duas equipes que somaram 10 pontos na fase final, decidiram no número de gols marcados. Mais uma vez o rubro-negro levantou a taça. Pior para o tricolor, que se tivesse feito 6 a 0 era campeão (ou se tivesse perdido, tinha tirado o título do rival).

Que venha o Campeonato Brasileiro, e que os próximos estaduais sejam melhores. Os grandes agradecerão pelo dinheiro que conseguirão e os pequenos por poderem continuar existindo.

Atletiba na final

In Notícia, Opinião on 23/04/2008 at 17:16

Atlético e Coritiba fazem a final do campeonato paranaense. Fazia tempo que isso não acontecia. Nos dois últimos anos, apenas o Paraná Clube, entre os grandes da capital, chegou na decisão.

Por ser realmente um campeonato fraco e sem muito atrativo, principalmente para os clubes que disputam o Brasileirão, a principal dupla de clubes da capital ficou muito tempo longe do título da competição dita “fraca” tecnicamente.

Espero que as torcidas que vão aos estádios sejam mesmo de clube grande, sem brigas e sem depredar o patrimônio público. Futebol tem rivalidade sim, ainda bem, mas ela pode ficar restrita a paixão e “tiração de sarro” e não a guerra.

Posso parecer piegas, mas seria mais importante se na segunda-feira o “Globo Esporte” (ou qualquer outro programa de esportes em rede nacional) citasse a final entre “grandes clubes” paranaenses como uma festa do esporte, do que mais um clássico terminando em pancadaria (dentro e fora de campo).

PS: Isso se os clubes (e torcedores) querem mesmo ser tratados como “novos” grandes do futebol nacional. Pena que dentro de campo, com poucas exceções, o espetáculo não passe de mediano.